13 Dicas: Hiperatividade e Défice de Atenção na sala de aula

A Hiperatividade e Défice de Atenção pode condicionar o sucesso de uma criança no seu percurso escolar.  Sendo uma perturbação que surge na infância e pode perdurar até à fase adulta, reflete-se em sintomas associados ao défice de atenção, ao excesso de atividade motora e à impulsividade.

Como podem imaginar, estar sentado numa cadeira, manter-se em silêncio e virado para o quadro a copiar o que lá está ou até mesmo saber esperar pela sua vez para falar na sala de aula, são tarefas que podem ser difíceis para estas crianças. E atenção: não são tarefas difíceis porque são crianças “mal educadas” ou “com falta de regras e limites”. São tarefas difíceis porque, por causas biológicas, é-lhes difícil controlar o seu comportamento e gerir as suas emoções.

Dicas

Como tal e visto que parte das escolas portuguesas dificilmente estão totalmente ajustadas às necessidades e dificuldades destas crianças com materiais, estruturas e formação para pais, respetivos professores ou auxiliares de educação, deixo-vos aqui algumas dicas:

  1. Utilize reforços positivos para todos os comportamentos da criança mesmo que sinta que são um dever da criança. Esta iniciativa motiva a criança a controlar os seus comportamentos e a acreditar que é capaz de o fazer autonomamente!
  2. Perante um comportamento desadequado, descreva o que viu e comunique com a criança sobre o que esta acha que poderia ter feito diferente e como. Será normal, que estas crianças tenham noção do comportamento que seria aceitável mas pela dificuldade em controlar os seus impulsos não o executam! É importante que sintam que acreditam que numa próxima oportunidade serão capaz de continuar a dar o seu melhor e que não estão sozinhas!
  3.  Seja assertivo nos limites e coerente naquilo que diz e naquilo que faz. Assim, a criança tem uma clara noção de orientação e segurança junto de si. Esta orientação e segurança por parte da criança, ajudam-na a sentir-se menos ansiosa ou inquieta, ajudando-a a ter maior autocontrolo sobre o seu comportamento;
  4. Antecipe as tarefas e atividades ao longo do dia utilizando um relógio, um temporizador, um plano visual que ajude a criança a ter tempo para se preparar emocionalmente para as mudanças entre as tarefas e atividades;
  5. Partilhe instruções diretas, curtas e claras uma de cada vez! Seja verbalmente ou em fichas peça à criança que as repita consigo ou com um colega;
  6. Peça a colaboração da criança para lhe ajudar na sua auto-confiança e dar-lhe momentos de descontracção: “podes pedir 10 fotocópias desta ficha que vamos fazer? ; ” podes ajudar-se a apagar o quadro?”;
  7. Convide a criança a sentar-se numa mesa frente ao quadro mas não longe si assim facilmente mantém contato ocular com a mesma ou toca-lhe no ombro para rechamar a sua atenção quando necessário;
  8. Organize atividades e fichas aos pares ou em grupo, com diferentes materiais para motivar a criança;
  9. Dê prioridade à qualidade e não há quantidade de fichas ou atividades que a criança tem de fazer;
  10. Descreva o quão bem está a criança: “estás tão bem sentado!”, ” quão bem está a escrever”, “adoro ver como estás atento”..
  11. Preocupe-se em que a criança esteja bem na sala de aula, a conseguir acompanhar os conteúdos a lecionar. Se esta não está exatamente bem sentada na cadeira, se tem uma bola anti-stress na mão enquanto trabalha, entre outros estímulos que não sejam prejudiciais e totalmente desajustados, não se preocupe em focar-se nisso! O importante é o progresso e a capacidade da criança em manter-se empenhado nas tarefas!
  12. Não esquecer que “o adulto sou eu”: é normal que o adulto se irrite e tenha dias de mais impaciência. No entanto, é expetável que como adulto que é, procure saber como autogerir estas emoções e o que pode fazer quando sabe que é um dia “não”. Posso respirar fundo? Posso, neste dia, tirar 10 minutos de pausa? Posso ser honesto com a criança, partilhar como me sinto e pedir-lhe a sua colaboração?
  13.  Lembre-se que a criança tem uma dificuldade e não é mal educada por opção! Tal como tem dificuldades também tem pontos potencialidades e qualidades que DEVEM ser valorizadas‼

É um desafio diário acompanhar, ensinar e educar estas crianças tão especiais. No entanto, se estas sentirem que têm o vosso apoio e que não são menos que as outras crianças, serão de certo pessoas muito mais felizes e adultos totalmente independentes, capazes de ter um percurso escolar profissional e de vida como qualquer pessoa! 

Bom regresso ao terceiro período 📚

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Psicomotricista, apaixonada por conhecer e partilhar. Autora do blog 'Mais q'Especial'.
4 Responses
  1. josiana

    Olá Beatriz! Partilhei o teu artigo, e obtive este comentário de uma amiga do fb:
    Marilia Angove: Cara Beatriz, abrigado por partilhar as suas dicas. A Beatriz tem profile no LinkedIn? Pois que eu gostaria de partilhar as suas dicas no LinkedIn, muito obrigado.

  2. Fátima Santos

    Olá Beatriz gostei muito das suas informações ,Tenho uma neta que faz 10 anos em junho e sofre do défice de atenção, é super inteligente quando entrou na escola surpreendeu tudo e todos pois sabia ler corretamente sem que nós se tivéssemos apercebido disso .Só que têm comportamentos muito infantis ,A pediatra dela receitou lhe comprimidos que ela toma 1 por dia e nos dias de testes a professora faz logo de manhã que é quando ela está mais atenta.é boa aluna mas poderia ser melhor se estivesse a tenta

    1. Olá ! =)

      Fico feliz por saber que as informações lhe foram úteis!
      O importante é valorizar a criança por todo o esforço que faz, mostrando-lhe que se acredita sempre nas suas potencialidades!
      Beijnhos

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Beatriz Pereira

Psicomotricista, apaixonada por conhecer e partilhar. Autora do blog ‘Mais q’Especial’.

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