Tabelas de comportamento ou tabelas de competências?

Muitos colégios, escolas ou até mesmo famílias gostam de utilizar as tabelas de comportamento. Estas tabelas funcionam como quadros onde se regista com bolinhas vermelhas, amarelas ou verdes o comportamento da criança, com o intuito de a ajudar a perceber se esteve “bem”, “mal” ou “assim-assim” no seu comportamento.

Agora, perante esta breve informação, questiono-vos: aprenderá a criança a gerir o seu comportamento só pela atribuição das cores e por uma comparação ao comportamento que deveria ter? Hmm, tenho algumas dúvidas sobre isso!

E se, em vez de uma tabela de avaliação do comportamento com cores, existisse uma tabela de competências?

Passo a explicar: nós aprendemos a adequar e a gerir o nosso comportamento com o desenvolvimento de competências pessoais (como a autoconfiança e o auto-estima), competências interpessoais (como a empatia e gestão conflitos) e intrapessoais (como a autorregulação das suas emoções). Então, de que nos serve verdadeiramente falar de comportamento, sem falarmos destas competências que estão detrás dos comportamentos?

Como fazer uma Tabela de Competências ?

Então, sem mais demoras, deixo aqui uma sugestão de como construir e preencher a vossa tabela de competências!

Eu....Porque...É importante...
Respeitei as regras.Sei que me ajudam a estar seguro.Continuar a respeitar as regras.
Não escutei com atenção.Porque estava a brincar com o meu colega de mesa.Olhar para a minha professora e focar a minha atenção na aula, para não perder nenhuma aprendizagem.
Briguei com o João porque não queria brincar comigo.Gosto muito de brincar com ele.Lembrar-me que devo respeitar os meus amigos e falar sobre o que sinto com calma.
Ajudei a Maria a arrumar a sua mesa.......
.........
Recomendações:
  1. Poderão preencher em grupo ou indivualmente com a criança.
  2. Para crianças mais pequenas, podem até criar ilustrações que lhes permitam olhar e recordar aquilo que se devem lembrar de fazer.
  3. Promovam a partilha de sugestões por parte de outros amigos sobre o tema em questão.
  4. Poderão incluir os dias de semana para ajudar as crianças a situarem-se no tempo.
  5. Em caso de necessidades educativas especiais é necessário averiguar se este tipo de tabela se adapta à sua capacidade para interpretar e compreender esta abordagem. Senão, é importante perceber como adaptá-la às suas necessidades, considerando sempre as suas potencialidades!

Não há crianças mais merecedoras que outras, melhores ou piores que outras, mais vermelhas ou mais verdes que outras. Existem sim crianças que, como crianças que são, estão a aprender a viver, a aprender a sentir e a agir. Se só catalogamos em vez de as ajudar a colocar em prática as competências por detrás dos comportamentos, não as estamos a preparar devidamente para o seu futuro.

Pode ser um processo demorado, envolve muita partilha e muito diálogo, com outras crianças nem tanto. No entanto, o importante é não esquecer que cada criança é única, os adultos somos nós e, por último, recordar às crianças que estamos já aqui, ao lado delas, sempre!

Blog Mais Q’ Especial

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Psicomotricista, apaixonada por conhecer e partilhar. Autora do blog 'Mais q'Especial'.

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Beatriz Pereira

Psicomotricista, apaixonada por conhecer e partilhar. Autora do blog ‘Mais q’Especial’.

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